«O rei do mercado mundial de transferências de jogadores é um português: chama-se Jorge Mendes e tem 38 anos. Este agente de futebolistas, natural de Lisboa, intermediou no último "defeso", através da sua empresa sediada no Porto (Gestifute), negócios superiores a 122 milhões de euros (ver quadros) só nas 16 principais mudanças de jogadores em que participou, a última das quais foi a vinda de Luís Fabiano dos brasileiros do S. Paulo para o FC Porto. Tendo apenas em conta as transferências de Portugal para o estrangeiro, Jorge Mendes bateu todos os recordes internos, ao participar em transações de passes de jogadores que orçaram um total de quase cem milhões de euros (96,35), o que é tanto mais significativo se tivermos em conta que Portugal, por exemplo num sector como o das peles e couros, conseguiu em 2003 apenas 68,8 milhões de euros em exportações. Ou que um sector importantíssimo como o Vinho do Porto exportou, no ano passado, 411 milhões de euros. A Gestifute protagonizou, de resto, três das dez maiores transferências de jogadores do ano a nível mundial (Paulo Ferreira, Deco e Ricardo Carvalho), algo também sem paralelo no nosso país....»
in Público
O país gastou há alguns anos uma “pipa de massa” com os estudos dirigidos por um tal Michael Porter. Cabia-lhe definir os sectores para onde Portugal deveria dirigir as suas energias e investimentos de forma a operar uma enérgica revitalização da nossa economia. Os sectores foram definidos, alguns investimentos e energias foram canalizados para essas actividades, mas os resultados visíveis tardam em aparecer.
No entanto, a solução morava cá em casa. Faltavam uns “olhinhos” que iluminassem e definissem o rumo correcto do potencial escondido.
O sector chave da nossa economia é o futebol.
O brasileiro Scolari conseguiu unir Portugal em torno de um projecto como não se via na últimas décadas.
O Futebol Clube do Porto conseguiu êxitos desportivos e financeiros nas duas últimas temporadas futebolísticas como jamais se verificara no nosso país.
Agora, um empresário de futebol consegue fluxos financeiros com a exportação de jogadores que causam inveja a conceituados sectores da nossa economia.
Penso que a classe política e a sua base de sustentação - todos nós – deveriam humildemente penitenciar-se e passar os destinos do país para quem, na prática, mostrou como se gere e “se faz dinheiro”, coisa de que o país, há muito, anda bastante carenciado.
É certo que o Santana ainda está verde no lugar de primeiro-ministro, a sua experiência ainda não chega aos dois meses, mas já nos habituou a dizer num dia e a desdizer-se no dia seguinte. Assim podia muito naturalmente fazer uma remodelação governamental.
Chamava o Scolari para unir Portugal e tirar o país da tanga (confesso que ainda hoje não percebo porque é que o Zé Manel depois de nos meter de tanga, deu de “frosques”; ele não acusava o antecessor de ter fugido?). Talvez ficasse bem ao brasileiro a Administração Interna mais a Educação.
Chamava-se o Pinto da Costa para as Finanças – O Bagão voltava aos corpos sociais do Benfica (onde o tacho deve continuar garantido) e, talvez assim, o povo maltratado conseguisse esquecer as machadadas que o senhor deu no Trabalho e na Segurança Social.
A Jorge Mendes entregava-se o Ministério da Economia – o Miguel Cadilhe e a sua API aproveitavam para aprender como se capta dinheiro “lá fora”.
Com estes três a comandar as operações, mais uns treinadores por eles contratados, os resultados não se fariam esperar. Mas é preciso mais qualquer coisa.
Assim, enquanto houver habilidade a dominar a bola – penso que o futebol deveria ser disciplina obrigatória desde a primária (ajudava certamente a esquecer os desaires dos nossos estudantes na matemática e na física), enquanto houver Roman’s Abramovich dispostos a pagar muitos milhões por jogadores e treinadores portugueses, enquanto houver patrocínios de multinacionais a jogadores lusos e enquanto houver muitos milhões de espectadores dispostos a sustentar o nosso futebol (ainda que haja pouco dinheiro para as necessidades básicas) o nosso país está a salvo da bancarrota.
O que nos vai salvar não é nenhum milagre comercial, industrial ou de serviços.
O futebol é a nossa salvação!
PS – os bolds são da nossa responsabilidade.
Já agora: Quanto é que o sr. cidadão Jorge Mendes declarou de proventos na sua declaração de I.R.S.?
Quanto é que as ditas transacções renderam directamente para os cofres do estado?
Um abração do
Zecatelhado
Muito boa.
Continua, que nós apoiamos.
Tens cada uma Zeca, não querias mais nada. Não vês que o verdadeiro valor com que se move o mun- do do futebol é por debaixo da mesa. Provávelmente o tal Jorge Mendes declarou o rendimento mínimo e em resultado disso ficou isento do pagamento do IRS. Estou de certo modo de acordo com o nosso amigo Victor quando propõe que a classe política recorra aos grandes negociadores privados para aplicarem as suas formulas nos negócios do Estado, até poderia ser uma excelente solução.
Afixado por: congeminações em setembro 5, 2004 01:23 PMDesta vez dou a mão à palmatória! De facto o futebol, que parecia ser a perdição de Portugal, revela-se como salvação nacional!
Afinal, as relações promíscuas entre futebol e política, auguram, ao contrário do que seria de esperar, um futuro promissor para Portugal!
Um abraço
Rodrigo Ribeiro
O Futebol é quase a salvação de tudo, até começa a meter nojo !
Afixado por: Finurias em setembro 5, 2004 05:19 PMé realmente um ponto de vista a ter em conta---em grande conta!
Afixado por: Rui em setembro 5, 2004 08:27 PMTerão vossas senhorias muita razão. O ópio do povo já não é a religião.
Os expertes dos negócios já não são os políticos nem os economistas.
As matérias dignas de exportação, já não são o calçado, o vinho do Porto ou a carne de vaca ou boi tanto faz.
Por isso também não percebo, porque se investe em políticos e em técnicas de vendas que não passam da sopa torta.
A aposta no futuro de Portugal, está, e é por de mais evidente, nos mecenas que atuam os futebois.
Não é nada...
Um abraço céptico, muito céptico e, em relação os lellinhos da bola: asséptico;
Francisco Nunes
Muito boa.
Continua, que nós apoiamos.
Visite a minha nova casa:
http://o-blog-de-luis-silva.blogspot.com
Concordo com as sugestões. Vou mais longe. O PM devia ser o Scolari e o Jorge Mendes o ministro das finanças. Aí sim, esta terra iria cumprir o seu ideal... abraço.
Afixado por: ognid em setembro 6, 2004 11:09 PM