setembro 04, 2004

A nossa salvação

«O rei do mercado mundial de transferências de jogadores é um português: chama-se Jorge Mendes e tem 38 anos. Este agente de futebolistas, natural de Lisboa, intermediou no último "defeso", através da sua empresa sediada no Porto (Gestifute), negócios superiores a 122 milhões de euros (ver quadros) só nas 16 principais mudanças de jogadores em que participou, a última das quais foi a vinda de Luís Fabiano dos brasileiros do S. Paulo para o FC Porto. Tendo apenas em conta as transferências de Portugal para o estrangeiro, Jorge Mendes bateu todos os recordes internos, ao participar em transações de passes de jogadores que orçaram um total de quase cem milhões de euros (96,35), o que é tanto mais significativo se tivermos em conta que Portugal, por exemplo num sector como o das peles e couros, conseguiu em 2003 apenas 68,8 milhões de euros em exportações. Ou que um sector importantíssimo como o Vinho do Porto exportou, no ano passado, 411 milhões de euros. A Gestifute protagonizou, de resto, três das dez maiores transferências de jogadores do ano a nível mundial (Paulo Ferreira, Deco e Ricardo Carvalho), algo também sem paralelo no nosso país....»
in Público

O país gastou há alguns anos uma “pipa de massa” com os estudos dirigidos por um tal Michael Porter. Cabia-lhe definir os sectores para onde Portugal deveria dirigir as suas energias e investimentos de forma a operar uma enérgica revitalização da nossa economia. Os sectores foram definidos, alguns investimentos e energias foram canalizados para essas actividades, mas os resultados visíveis tardam em aparecer.
No entanto, a solução morava cá em casa. Faltavam uns “olhinhos” que iluminassem e definissem o rumo correcto do potencial escondido.
O sector chave da nossa economia é o futebol.
O brasileiro Scolari conseguiu unir Portugal em torno de um projecto como não se via na últimas décadas.
O Futebol Clube do Porto conseguiu êxitos desportivos e financeiros nas duas últimas temporadas futebolísticas como jamais se verificara no nosso país.
Agora, um empresário de futebol consegue fluxos financeiros com a exportação de jogadores que causam inveja a conceituados sectores da nossa economia.
Penso que a classe política e a sua base de sustentação - todos nós – deveriam humildemente penitenciar-se e passar os destinos do país para quem, na prática, mostrou como se gere e “se faz dinheiro”, coisa de que o país, há muito, anda bastante carenciado.

É certo que o Santana ainda está verde no lugar de primeiro-ministro, a sua experiência ainda não chega aos dois meses, mas já nos habituou a dizer num dia e a desdizer-se no dia seguinte. Assim podia muito naturalmente fazer uma remodelação governamental.
Chamava o Scolari para unir Portugal e tirar o país da tanga (confesso que ainda hoje não percebo porque é que o Zé Manel depois de nos meter de tanga, deu de “frosques”; ele não acusava o antecessor de ter fugido?). Talvez ficasse bem ao brasileiro a Administração Interna mais a Educação.
Chamava-se o Pinto da Costa para as Finanças – O Bagão voltava aos corpos sociais do Benfica (onde o tacho deve continuar garantido) e, talvez assim, o povo maltratado conseguisse esquecer as machadadas que o senhor deu no Trabalho e na Segurança Social.
A Jorge Mendes entregava-se o Ministério da Economia – o Miguel Cadilhe e a sua API aproveitavam para aprender como se capta dinheiro “lá fora”.
Com estes três a comandar as operações, mais uns treinadores por eles contratados, os resultados não se fariam esperar. Mas é preciso mais qualquer coisa.
Assim, enquanto houver habilidade a dominar a bola – penso que o futebol deveria ser disciplina obrigatória desde a primária (ajudava certamente a esquecer os desaires dos nossos estudantes na matemática e na física), enquanto houver Roman’s Abramovich dispostos a pagar muitos milhões por jogadores e treinadores portugueses, enquanto houver patrocínios de multinacionais a jogadores lusos e enquanto houver muitos milhões de espectadores dispostos a sustentar o nosso futebol (ainda que haja pouco dinheiro para as necessidades básicas) o nosso país está a salvo da bancarrota.
O que nos vai salvar não é nenhum milagre comercial, industrial ou de serviços.

O futebol é a nossa salvação!


PS – os bolds são da nossa responsabilidade.

Publicado por vmar em setembro 4, 2004 11:22 PM
Comentários

Já agora: Quanto é que o sr. cidadão Jorge Mendes declarou de proventos na sua declaração de I.R.S.?

Quanto é que as ditas transacções renderam directamente para os cofres do estado?

Um abração do
Zecatelhado

Afixado por: Zecatelhado em setembro 5, 2004 12:37 AM

Muito boa.
Continua, que nós apoiamos.

Afixado por: Edite em setembro 5, 2004 10:48 AM

Tens cada uma Zeca, não querias mais nada. Não vês que o verdadeiro valor com que se move o mun- do do futebol é por debaixo da mesa. Provávelmente o tal Jorge Mendes declarou o rendimento mínimo e em resultado disso ficou isento do pagamento do IRS. Estou de certo modo de acordo com o nosso amigo Victor quando propõe que a classe política recorra aos grandes negociadores privados para aplicarem as suas formulas nos negócios do Estado, até poderia ser uma excelente solução.

Afixado por: congeminações em setembro 5, 2004 01:23 PM

Desta vez dou a mão à palmatória! De facto o futebol, que parecia ser a perdição de Portugal, revela-se como salvação nacional!
Afinal, as relações promíscuas entre futebol e política, auguram, ao contrário do que seria de esperar, um futuro promissor para Portugal!

Um abraço
Rodrigo Ribeiro

Afixado por: Rodrigo Ribeiro em setembro 5, 2004 02:41 PM

O Futebol é quase a salvação de tudo, até começa a meter nojo !

Afixado por: Finurias em setembro 5, 2004 05:19 PM

é realmente um ponto de vista a ter em conta---em grande conta!

Afixado por: Rui em setembro 5, 2004 08:27 PM

Terão vossas senhorias muita razão. O ópio do povo já não é a religião.
Os expertes dos negócios já não são os políticos nem os economistas.
As matérias dignas de exportação, já não são o calçado, o vinho do Porto ou a carne de vaca ou boi tanto faz.
Por isso também não percebo, porque se investe em políticos e em técnicas de vendas que não passam da sopa torta.
A aposta no futuro de Portugal, está, e é por de mais evidente, nos mecenas que atuam os futebois.

Afixado por: jgonçalves em setembro 5, 2004 10:26 PM

Não é nada...

Um abraço céptico, muito céptico e, em relação os lellinhos da bola: asséptico;
Francisco Nunes

Afixado por: Planície Heróica em setembro 6, 2004 01:56 AM

Muito boa.
Continua, que nós apoiamos.

Afixado por: Edite em setembro 6, 2004 06:48 PM

Visite a minha nova casa:
http://o-blog-de-luis-silva.blogspot.com

Afixado por: luis silva em setembro 6, 2004 08:03 PM

Concordo com as sugestões. Vou mais longe. O PM devia ser o Scolari e o Jorge Mendes o ministro das finanças. Aí sim, esta terra iria cumprir o seu ideal... abraço.

Afixado por: ognid em setembro 6, 2004 11:09 PM